quarta-feira, 21 de junho de 2017

TEXTO 76/2017/ O ANOITECER NO INVERNO DO SUL


Estamos no sul do Brasil. Início de inverno. Anoitecer pode ter vários sentidos.
Vivemos em uma terra abençoada onde se plantando tudo, ou quase tudo prolifera, mas a região do Pampa que se estende por toda uma região meridional da América, também sofre com as agruras do inverno e o anoitecer pode se constituir em sofrimento para os menos favorecidos.
Para o gaúcho do campo ou da cidade anoitecer de inverno pode ser um momento lindo em família. Calor do fogo da lareira, ou do fogão à lenha, ou, ainda, do piso aquecido para os mais abastados, associado ao ar condicionado. Fogão à lenha é costume em grande maioria dos lares, tanto da região da campanha quanto da cidade.
Família ao redor do crepitar das chamas, chimarrão, chá ou vinho para esquentar e espantar o frio que, com facilidade beira a zero grau. Sobre o fogão comidas típicas. Bolo assado, uma sopa quentinha, batata doce, pinhão, amendoim, pipoca. Prazeres que quem é daqui não dispensa.
Pesados ponchos de lã tecidos pelas mulheres, touca de lã de ovelha, luvas, botas de cano longo, fogueira nas noites de São João, gaita tocando, pares na maior bailanta nos galpões das propriedades rurais ou nos locais de diversão distantes do centro da cidade.
Uma melodia ao violão aquece os corações nos anoiteceres do sul, nos bares frequentados pelos jovens universitários.
Em contrapartida, mais do que nunca, se faz necessário ser solidário nestas longas noites de frio que a geada embranquece os campos deixando-os cobertos de uma fina camada de gelo.
Desabrigados sofrem muito no anoitecer de nossa região. Há moradores de rua em profusão que se abrigam nas marquises de lojas, estabelecimentos bancários, edifícios pois os albergues para desvalidos não comportam toda essa população sofrida.
Vários grupos se mobilizam levando a essas pessoas um pouco de conforto espiritual, moral e material. Sentir-se acolhido faz a pessoa sentir-se menos só. Alguns levam roupas limpas, outros dedicam-se a levar sopa servida em caixas de leite em determinado ponto da cidade, há os que levam café preto com sanduiche, outros um copo de leite quente com pão e mortadela para saciar a fome do corpo e amenizar a sensação de abandono que se intensifica a cada anoitecer quando o não ter uma cama quente, cobertas limpas e companhia de família faz se intensificar o abandono moral.
Esse trabalho ocorre durante as noites, sob o céu onde se destaca o Cruzeiro do Sul, durante o ano, mas, a necessidade é infinitamente maior durante o inverno em cujas noites muitos idosos se entregam ao sono eterno pelo frio que chega a sete graus negativos.
Campanhas são realizadas para os animais de rua que também padecem mais depois que o sol se esconde.
Tenho uma filha que se dedica a este trabalho nas noites de domingo nas quais a ajudei na preparação do alimento.
Nos postos de gasolina com proprietários que são de coração sensível ao sofrimento dos animais, encontramos casinhas para os cães que durante o dia perambulam pela cidade e que ao anoitecer nelas se abrigam e recebem alimento e afago dos funcionários.
O anoitecer pode ser momento de amor ou de dor, de alegria ou de tristeza, de sonho ou pesadelo, de concepção ou de morte, e cabe aos mais afortunados se desapegarem um pouco para minimizar o sofrimento alheio.
Eu já separei roupas para o brechó solidário que se realiza em vários pontos da cidade e você, leitor desta crônica vai fazer com que o anoitecer do outro se transforme em um raiar de novo dia com mais amor e solidariedade?

Isabel C S Vargas
Pelotas/RS/Brasil
21.06.2017

TEXTO 75/2017/ ANOITECER


O Sol se recolhe no horizonte
Cumprindo parte da jornada.
Anoitece em parte do universo.
A escuridão dá contornos diferentes à vida.

Anoitecer em outras décadas
Era sinônimo de paz, reunião familiar.
Sentimento de jornada cumprida. Sossego.
 Gozo de momentos enriquecedores.


Relatos, interação, segurança.
Para os sem compromisso, boemia, festas.
Momentos de eventos culturais sem culpa ou perigo.
Época saudosa e distante da atual.


Anoitecer pode significar aproximação
Revelação, cumplicidade de olhares e sentimentos
Toques sedentos e exploratórios.
A penumbra explicita o que a luz esconde.

O anoitecer espanta a timidez
Revela amores escondidos à luz do dia,
Sentimentos reprimidos no recôndito de casa ser
Que explodem sem limites ou barreiras.

Anoitecer de muitos significados
Exprime na vida urbana os perigos de uma era,
Define atrás de paredes físicas e psicológicas
A ânsia desesperada de pertencimento do ser humano.

Almejo o dia que o anoitecer seja prenúncio de paz,
Inclusive e, principalmente, nas regiões mais críticas
Deste planeta de guerras pontuais, duradouras e sem sentido
Que nos leva a indagar da humanidade de alguns seres.

Isabel C S Vargas

Pelotas/RS/Brasil

21/06/2017

segunda-feira, 19 de junho de 2017

PUBLICAÇÃO DIÁRIO DA MANHÃ 21/2017/RECADO DO SOL


RECADO DO SOL

Amanheceu e o sol apareceu
Com toda sua intensa beleza
E, sem se fazer de rogado,
Mandou avisar que todos levantassem
Para aproveitar todas as suas benesses.
Seus raios dourados para aquecer os corpos,
Sua luz para enfeitar o planeta,
E as mil outras possibilidades
De ver a vida acontecer:
As sementes crescerem,
Os tons das coisas se destacarem,
A água do mar aquecer
E nos proporcionar a limpeza do corpo
E da alma de toda a negatividade.
O sol nos ensina lições.
Todos os dias se doa gratuitamente,
Para  quem dele dispõe
Com sabedoria e sensatez.
Às vezes, se recolhe, atrás das nuvens
Para nos dar a oportunidade de percebermos
Sua grande e eterna importância em nossas vidas.

Isabel C S Vargas

Publicado no Diário da Manhã/Pelotas/RS
Data:2017/06.19/Segunda-Feira/Página 11

MEU TEXTO EM CONTOS DE OUTONO 2017


Isabel Cristina Silva Vargas
Pelotas / RS


Mistério 

           
Marialva vivia com Juvenal desde os 16 anos. Foi viver com ele por não suportar os maus tratos da família. Pai alcoólatra, mãe submissa que apanhava sem se revoltar em frente aos filhos.
No início foi um alívio viver com Juvenal. Ele era mais velho do que ela, mas a tratava bem. Era melhor que o pai.
Com o tempo e as dificuldades que foram surgindo Juvenal começou a se tornar violento.
No início ficou muito magoada lembrando-se das cenas que vivenciara quando mais nova, Com o tempo foi ficando enraivecida. Ele começou por esbofeteá-la. Depois foi além e a deixava presa em casa. Bebia e voltava a maltratá-la. O ódio avolumando. Tinha vontade de esganá-lo, mas sentia-se sem forças.
Não imaginava que assim como a bondade opera milagres, o ódio gera atitudes incompreensíveis, inimagináveis e sem explicação. E isso ocorreu em um dia que ele bebera demais, voltara violento e começou a tentar estrangular Marialva.
Sentia subir pelo corpo uma sensação estranha, como se uma força fora do comum começasse a possuí-la. A princípio, via-se sem poder soltar-se, as mãos dele eram grandes e fortes assim como a força com que ele apertava seu pescoço.
De repente, era como se algo se rompesse dento dela e suas mãos transformaram-se em tentáculos com os quais ela afastava os braços dele e ao mesmo tempo o enrolasse submetendo-o a sua força. Sentia-se transformada em uma serpente tão venenosa que desejava, apenas, ferir, matar, subjugar. Foi o que fez com a força de seus braços que o apertavam como se tivesse em vez de braços, serpentes venenosas cuja única razão de viver era destilar veneno.
Foi o que fez até cair ao solo, próxima a ele, exaurida por todo esforço despendido e que para ela parecia algo irreal que ela assistira sem perceber que a protagonista era ela. Parecia que ela vira um filme se desenrolar,
Mais desorientada ficou quando foi constatado que além dos ossos quebrados por uma força estranha ele fora envenenado.




MEU TEXTO EM 100 GRANDES POETAS MODERNOS/2017


Isabel Cristina Silva Vargas
Pelotas / RS

Palavras

As palavras definem minhas circunstâncias.
Com palavras faço carinho,
Acolho quem necessita
Produzo empatia
Promovo solidariedade
Acalmo quem sofre
Estimulo atitudes de paz.
A palavra pode ser arma que fere
Rompe amizade
Mata o amor.
Então, que nossa intenção seja louvável
E com palavras criemos harmonia
Para que as pessoas sejam felizes
E possamos cultivar a paz
Fundamental no mundo atual
Tão cheio de violência
Nas palavras e nas atitudes.



MEU TEXTO EM ANTOLOGIA DE POETAS BRASILEIROS CONTEMPORÂNEOS 150


Isabel Cristina Silva Vargas
Pelotas / RS


Saudade

Sentimento bom ou ruim?
Proporciona dor ou conforto?
É um sentimento que aproxima
Aquele que sente, de outra pessoa.
Torna próximo quem está distante
Então, é bom se conseguimos sentir,
Novamente, sensação boa de aconchego
Junto de alguém que amamos
E, não podemos estar próximos.
Eu sinto saudade de um tempo
Que eu me sentia plenamente feliz,
Com todos os filhos próximos de mim.
A saudade de meu caçula faz
Com que ele esteja sempre em meu coração.
Olho para sua linda foto
Devolvo com amor o sorriso que vejo.
Saudade de meu amor...


sexta-feira, 16 de junho de 2017

LIVRO DE OURO DO CONTO BRASILEIRO CONTEMPORÂNEO/EDIÇÃO 2017





                                                    AUTORES JÁ SELECIONADOS
                                                                                                 http://www.camarabrasileira.com.br/livrodeourocontos2017.html



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 Alberto Magno Ribeiro Montes  (18/04/1953) - Belo Horizonte / MG
Aposentado
Poema: O Profeta

  Edgard Brito (6/12/1969) - São Paulo / SP
Jornalista
Conto: 
Asfalto em transe
  Ediloy A. C. Ferraro (12/06/1957) - São Paulo / SP
Advogado
Conto: Carta a 
um imaginário destinatário

  Íris Lucia Bastos (15/02/1987) - Curitiba / PR 
Professora de Língua Portuguesa
Conto: 
Encontro nada casual
  Isabel Cristina Silva Vargas(26/11/1951) - Pelotas / RS
Aposentada Serv. Público - Advogada
Conto: Olhar enluarado 
 

 
José Henrique Gomes Gondim (9/03/1965) - Natal / RN
Dentista - Funcionário público
Conto: Um presente inesperado

 Maria Rita de Miranda  (5/02/1951) - São Sebastião do Paraíso / MG
Professora
Conto: Meu Querido, Meu Velho, Meu Amigo


  Renata de Oliveira Campos (16/07/1977) - Três Corações / MG
Contadora
Conto: Parem o mundo, por favor!!!

 Romilton Batista de Oliveira  (15/12/1965) - Itabuna / BA
Professor / Doutor em Cultura e Sociedade
Conto: Brasolândia

Wagner Dias de Souza  (26/10/1971) - Rio de Janeiro / RJ
Funcionário público
Conto: O beijo suspenso